O BRINQUEDO E OS DIFERENTES ESPAÇOS PARA BRINCAR
POR QUE BRINCAR?
POR QUE BRINCAR?
Porque o brinquedo é oportunidade de desenvolvimento. Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, exercita e confere suas habilidades.
O brinquedo estimula a curiosidade, a iniciativa e a auto confiança. Proporciona aprendizagem, desenvolvimento da língua, do pensamento e da concentração de atenção.
Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. É uma arte, um dom natural que, quando bem cultivado, irá contribuir, no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto.
MAS SERÁ QUE TODAS AS CRIANÇAS BRINCAM?
Toda criança precisa usufruir os benefícios emocionais, intelectuais e culturais que as atividades lúdicas proporcionam.
Os adultos querem que a criança se socialize, que se desenvolva, que seja equilibrada e responsável que pres.te atenção no que está fazendo, que se acostume a trabalhar.. mas no final, tudo isto não é exatamente o que uma criança faz quando está brincando?
O brinquedo é o momento de verdade da criança.
ATIVIDADE
Monte um portfólio com sugestões de brinquedos e jogos feitos com sucata.
SUGESTÃO DE LEITURA
CUNHA, Nylse. Criar para brincar. A sucata como recurso pedagógico. São Paulo: Aquarianas. SEM ANO.
POR QUE BRINQUEDOS
Porque o brinquedo é um convite ao brincar, porque facilita e enriquece a brincadeira, proporcionando desafio, motivação. Ao ver o brinquedo, a criança é tocada pela sua proposta, reconhece umas coisas, descobre outras, experimenta e reinventa, analisa, compara e cria.
Sua imaginação se desenvolve e suas habilidades também. Enriquecendo seu mundo inteiro, tem mais coisa a comunicar e pode, cada vez mais, participar do mundo que cerca.
O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos, diminuindo o sentimento de impotência da criança.
O brinquedo proporciona o aprender-fazendo e para ser melhor aproveitado é conveniente que proporcione atividades dinâmicas e desafiadoras, que exijam participação ativa da criança.
As situações problema contidas na manipulação de certos materiais, se estiverem adequadas às necessidades do desenvolvimento da criança, fazem-na crescer através da procura de soluções e de alternativas.
O brinquedo estimula a inteligência porque faz com que a criança solte sua imaginação e desenvolva a criatividade. Mas, ao mesmo tempo, possibilita exercício de concentração, de atenção e de engajamento.
Distrai, porque oferece uma saída para a tensão provocada pela pressão do contexto do adulto. Possibilita exercício de atenção e concentração, porque leva a criança a observe-se na atividade.
O brinquedo as brincadeiras são excelentes oportunidades para nutrir a linguagem da criança.
O contato com diferentes objetos e diferentes situações estimula também a linguagem interna e o aumento do vocabulário.
O entusiasmo da brincadeira faz com que a língua verbal se tome mais fluente e haja maior interesse pelo conhecimento de palavras novas. A variedade de situações que o brinquedo possibilita pode favorecer a aquisição de novos conceitos.
Brincado a criança desenvolve seu senso de companheirismo, jogando com companheiros, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando entender regras e conseguir uma participação satisfatória.
No jogo, conhecidas as normas, todos tem as mesmas oportunidades e participando do jogo, a criança aprende a aceitar regras, pois o desafio está justamente em saber respeitá-las. Esperar sua vez, aceitar o resultado dos dados ou de outro fator de sorte são excelentes exercícios para lidar com frustrações e, ao mesmo tempo, elevar o nível de motivação.
Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, alargando assim sua compreensão sobre os relacionamentos humanos. As relações cognitivas e afetivas, conseqüentes da interação lúdica, propiciam amadurecimento emocional e vão pouco a pouco, construindo a sociabilidade infantil.
Brincar junto com o adulto reforça os laços afetivos. É uma maneira de manifestar nosso amor à criança. Todas as crianças gostam de brincar com os pais, professores, avós, irmãos.
A participação do adulto no jogo da criança eleva o nível de interesse, pelo enriquecimento que proporciona, pode também contribuir para o esclarecimento de dúvidas referentes às regras do jogo.
A criança sente-se ao mesmo tempo prestigiada e desafiada quando o parceiro da brincadeira é um adulto, este por sua vez, pode levar a criança a fazer descobertas e a viver experiências que tomam o brinquedo mais estimulante e mais rico em aprendizado.
Através da observação do desempenho das crianças com seus brinquedos podemos avaliar o nível de seu desenvolvimento motor e cognitivo. Dentro da atmosfera lúdica, manifestam suas potencialidades e ao observá-las poderemos enriquecer sua aprendizagem, fornecendo, através dos brinquedos, elementos nutrientes para seu desenvolvimento.
O adulto que interage pode despertar a atenção e a compreensão de criança, enriquecendo seu brincar. Mas é imprescindível que antes de mais nada se observe como ela está brincando para respeitá-la, respeitando sua iniciativa, suas preferências, seu ritmo de ação e suas regras de jogo. Não se deve interromper a concentração de uma criança brinca.
Para preservar a ludicidade o adulto deve limitar-se a sugerir e estimular, a explicar, sem impor determinar a forma de agir. Que a criança aprenda a utilizar o jogo descobrindo e compreendendo e não por simples imitação.
Porque no brincar existe necessariamente participação e engajamento, o brinquedo é certamente uma forma de desenvolver a capacidade de engajar-se de manter-se ativo e participante. A criança que brinca bastante será um adulto trabalhador. A criança que sempre participou de jogos e brincadeiras grupais saberá trabalhar em grupo. Por ter aprendido a aceitar as regras do jogo, saberá trabalhar em grupo, por ter aprendido a aceitar as regras do jogo, saberá também respeitar as normas grupais e sociais.
É brincando bastante que a criança vai aprender a ser um adulto consciente, capaz de participar e engajar-se na vida de sua comunidade.
O brinquedo é o trabalho da criança.
Por tudo isso, o que está faltando são boas condições para exercer a brincadeira com seriedade que ela merece. Eis porque a brinquedoteca é importante. E foi por saber que toda criança precisa brincar que ela foi criada, para resgatar e garantir o direito a brincadeira e à infância, direito este que está sendo de tantas maneiras desrespeitado.
OS DIFERENTES ESPAÇOS DA BRINQUEDOTECA
Alguns cantinhos mais frenquentes
1- Canto do “faz de conta”: mobílias infantis, carrinho de feira e coisas de comprar, camarim com espelho, fantasias, maquiagem, etc...
2- Canto da Leitura ou Contar Histórias: com tapetes, almofadas...
3- Canto da invenção: construir com jogos de construção ou sucata.
4- Sucatoteca: lugar onde são guardadas todas aquelas coisas que podem servir para fazer outras coisas, devem ser agrupadas em caixas e colocadas em estante.
5- Teatrinho: para criar historias e manusear fantoches.
6- Mesa de atividades: para jogar ou qualquer trabalho coletivo.
7- Estantes com brinquedos: para serem manuseados livremente.
8- Oficinas: construção de brinquedo e restauração de brinquedos quebrados.
ATIVIDADE
Escolha um cantinho e elabore uma atividade para ser desenvolvida neste espaço.
COMO AS CRIANÇAS BRINCAM E O QUE APRENDEM
A criança pode brincar sozinha ou em grupo. Ao brincar com outras crianças, ela está aprendendo a se colocar na perspectiva do outro, testando limites. Também a criança pode brincar ao lado de outra, porém sem brincar com a outra, embora muitas vezes estejam brincando com o mesmo brinquedo. Crianças mais velhas já se organizam em grupos maiores e, na maioria das vezes, brincam de maneira a desenvolver atividades iguais ou semelhantes.
Vemos que as crianças muito pequenas apresentam movimentos repetitivos na sua relação com os objetos como: encaixar e desencaixar, montar e desmontar, bater, apalpar, sentir, dessa forma ela está tentando defini-lo pelo seu uso. No decorrer do desenvolvimento, outras maneiras de brincar aparecem. Da mesma forma como anteriormente ela adquiriu as habilidades de andar, falar, escalar alturas, etc. através da prática repetitiva, ela vai usar o “faz de conta”, o jogo imaginativo, para se introduzir no mundo dos adultos.
O ensino da leitura e da escrita, bem como o desenvolvimento do vocabulário, pode ser considerado uma extensão da brincadeira da criança, pois esse aprendizado implica a assimilação da realidade através do símbolo, da imaginação.
Outro tipo de brincadeira que aparece ao longo do desenvolvimento é o jogo com regras que subsiste durante toda a vida.
Isto se deve a uma razão muito simples. Esses jogos apresentam desafios. Nesse tipo de jogo a criança aprende a respeitar os limites do adversário, servindo isso como preparação para enfrentar desafios reais que terá pela frente. O jogo com regras é, portanto, uma forma de aprender e reaprender: numa próxima partida ela poderá aproveitar-se da experiência anterior, para dominar o adversário terá que exercitar a memória e a atenção observando o parceiro e poderá se colocar no lugar do outro. Além da competição, a cooperação também é estimulada quando os jogos são em duplas ou times.
A brinquedoteca apresenta também uma vantagem que é dar oportunidade às crianças de experimentar o brinquedo antes de escolhê-lo.
Na brinquedoteca podemos também observar a preferência de crianças de várias faixas etárias por este ou por aquele brinquedo.
A manipulação de vários brinquedos conduz a criança à ação e à representação, a agir e a imaginar. Todo brinquedo tem sempre um conteúdo e transmite uma mensagem.
Finalmente, a brinquedoteca também contribui para a educação da criança na família, pois os pais, brincando com seus filhos, podem não só fortalecer vínculos familiares como conhecer melhor a preferência deles.
Assim dando à criança a liberdade para explorar diversos tipos de brinquedos, estaremos proporcionando o desenvolvimento de sua habilidade de reconhecer objetos e ações, de distingui-los entre si, de tomar consciência de suas similaridades e diferenças e, finalmente, de abstrair, classificar e simbolizar. E tudo isso virá, naturalmente, de uma rica e ativa vida de brincadeiras.
ATIVIDADE
Analise a figura e aponte os brinquedos e as brincadeiras que estão sendo desenvolvidas.
SUGESTÃO DE LEITURA
KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 2000.
BROUGÈRE, Gilles. Brinquedos e companhia. São Paulo: Cortez, 2004.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org.). O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 2002.